Conheça a bandagem terapêutica que já é mania entre os atletas brasileiros

kinésio taping surgiu no Japão, na década de 70, e foi utilizada nas Olimpíadas de Seul, em 1988, até cair nas graças dos corredores do país

Por Bebel Clark Rio de Janeiro

Os atletas procuram sempre inovações para melhorar o desempenho, a saúde e o bem estar durante os treinos e provas. Um exemplo disso é o sucesso da bandagem terapêutica adesiva, mais conhecida como kinésio taping, que auxilia a reabilitação física, agindo nas áreas neurológica, ortopédica e muscular dos corredores.

corrida kinesio tape (Foto: Reprodução)
Bandagem funcional foi desenvolvida no Japão, na década de 70 (Foto: Reprodução)

Desenvolvido na década de 70, no Japão, pelo médico quiropata Kenzo Kase, o método visa aliviar a dor, reduzir edemas, pelo fato de melhorar a circulação linfática, gerar maior estabilidade articular e melhorar a contração muscular. O esparadrapo terapêutico tem 130 a 140% de elasticidade, tecido feito com 100% de algodão, é ativado pelo calor e à prova d´água, não contém látex, permite que a pele respire sem obstrução, possibilita o movimento do corpo normalmente e dura de três a cinco dias na pele após aplicado.

Segundo a fisioterapeuta paulista Livia Rodrigues, que trabalha com o método desde 2007, os efeitos da kinésio são impressionantes.

livia fisioterapeuta (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)
Livia usa a kinésio em seus pacientes desde 2007
(Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

– Durante o ato esportivo, a fita é fabulosa. Ela age nos receptores sensoriais do sistema segmentar (pele). De acordo com cada músculo, da origem para inserção, você pode ter efeito de aceleração ou desaleração do movimento, ou seja, sustentar ou relaxar uma área do corpo, além de aliviar a dor, através das ondulações que a bandagem promove. Como medida de emergência, é o melhor tratamento que existe hoje.

Como não tem qualquer tipo de medicamento em sua constituição, a fita não apresenta contraindicação.

– Não há absolutamente nenhuma restrição quanto ao uso dela, nem de sexo ou idade. Meu único conselho é que ela seja aplicada por um profissional habilitado. Já vi muita gente colando de qualquer jeito, o que pode acarretar alterações de postura, lesões na pele e alergias. Em caso de lesões, as técnicas fisioterapêuticas profissionais não podem ser descartadas – afirmou a fisioterapeuta.

corrida kinesio tape (Foto: Divulgação / Nike)
Fita usada em corredora (Foto: Divulgação / Nike)

A kinésio, usada como base de suporte para que os atletas se recuperem mais rapidamente sem parar de treinar, já conquistou fãs no Brasil. A corredora curitibana Vivian Dombrowski (28) teve uma lesão no tornozelo em 2011, após disputar uma prova em Brasília.

– Meu tornozelo inchou a ponto de eu não conseguir pisar no chão. Resolvi colocar a kinésio, com a ajuda do meu acupunturista, e foi a melhor coisa que fiz. Depois de cinco dias já consegui voltar a correr, e nunca mais tive dor. Tenho muitos amigos que fazem uso dela – disse a atleta.

Amiga de Vivian, a triatleta brasiliense Roberta Maia (33) superou a dor de uma fissura na tíbia com a bandagem.

– A lesão aconteceu no ano passado e meu acupunturista, que também é fisioterapeuta, me sugeriu a kinésio, pois eu precisava participar de uma prova de longa distância e não estava aguentando de dor. A kinésio é milagrosa, aliviou o meu sofrimento. Toda vez que eu colocava a fita, não sentia mais dor alguma.

A kinésio é milagrosa, aliviou o meu sofrimento”
Roberta Maia

Paciente de Livia Rodrigues, o triatleta e fisioterapeuta paulista Rodrigo Galleti também costuma usar o esparadrapo terapêutico.

– Sempre uso a kinésio em duas etapas: dois dias antes de uma prova, visando poupar o ligamento ou a musculatura, e no dia da prova, com o intuito de economizar o músculo e dar mais segurança na hora de correr.

As indicações terapêuticas para a bandagem funcional passam por lombalgias, torcicolos, tendinites, entorses, contratura muscular, paralisia facial, artrose, artrite, fasceíte plantar, hérnia de disco, linfedemas e estiramentos.