Crochetagem

Os cuidados tradicionais para Síndrome do Impacto envolve descanso e limites nos movimentos, mormente na fase aguda, e medicamentos anti-inflamatórios não esteroides, desde que acatadas as suas contraindicações. É possível ainda agregar a tais medicamentos os miorrelaxantes. A Fisioterapia é a terapêutica mais relevante para a terapia da enfermidade em foco. Após a interferência do fisioterapeuta aponta-se o prosseguimento e a firmeza nos exercícios exclusivos e bem norteados por profissionais qualificados e especializados (SANTOS, 2010).

Criada por Kurt Ekman, a Crochetagem Mio-Aponeurótica (CMA) é uma metodologia do tratamento manual que possibilita atingir pequenas dimensões que seriam raramente palpáveis utilizando somente as mãos. Também chamada de diafibrólise percutânea, esta técnica é um tratamento externo sem dor praticado por meio de ferramentas semelhantes a agulhas de crochets. Trabalhando no rompimento de aderências e fibroses entre os planos de deslizamento de músculos, tendões, ligamentos e nervos, devolvendo a mobilidade e a função através do conhecimento em anatomia palpatória e aplicação dos crochets sobre a pele (VARGAS, et. al, 2003).

Crochetagem é uma artificialidade terapêutica e fisioterápica que consiste em uma técnica externa indolor, com o emprego de um gancho de aço. A técnica é empregada no tratamento das dores do aparelho locomotor, com o objetivo de promover a remoção das aderências e corpúsculos irritativos mio-aponeuróticos ou inter-aponeuróticos, com uso de ganchos colocados e movimentados sobre a pele (PEDRON et al, 2010).

Segundo Kiffer (2004), é uma metodologia manipulativa conhecida também como Diafibrólise Percutânea, usada na terapêutica de processos álgicos do aparelho locomotor, através da remoção das aderências e extermínios de corpúsculos irritativos interaponeuróticos ou mio-aponeuróticos com a ajuda de ganchos postos sobre o tecido, para que depois disso o trabalho específico seja realizado. O tratamento através da crochetagem se baseia numa abordagem do tipo centrípeta,
abordando as cadeias musculares e fáscias lesionadas que estão em relação anatômica (mecânica, circulatória, neurológica) com a lesão, evitando-se o efeito rebote, ou seja, o aumento da dor como consequência de um tratamento puramente sintomático (BURNOTTE; DUBBY, 1988).

Na síndrome do impacto, a fisioterapia ocasiona diminuição do quadro álgico, diminui o quadro inflamatório, devolve ao espaço subacromial sua integridade fisiológica, restabelece força aos músculos afetados, reintegra o paciente as atividades de vida diária (BRITO, 2008).


Saiba mais sobre a Técnica de Crochetagem

Crochetagem Mio-Aponeurótica

O que é terapia Manual

Tecnicas de Terapia Manual


Conforme Silva et. al. (2008), com o paciente em decúbito ventral, libera-se a porção superior e inferior do músculo trapézio, os músculos rombóides e o músculo grande dorsal. Libera-se também os músculos deltóide posterior, redondo maior e menor e principalmente o triângulo dos redondos que se localiza na região posterior da axila e o tríceps. Em decúbito dorsal, crocheta-se o músculo peitoral maior e menor, o sulco delto-peitoral, o bordo superior e inferior da clavícula, as fibras anteriores do músculo deltóide e a porção longa do músculo bíceps. Vargas et. al. (2003) mencionam que esta técnica atua sobre as restrições de mobilidade de qualquer elemento conjuntivo de desordens mecânicas ou bloqueios funcionais, o que causa respostas vegetativas e estimula a circulação linfática e sanguínea, melhorando o deslizamento das fáscias. Pois é possível quebrar as fibroses e aderências originadas por cristais de oxalato de cálcio, de origem cicatricial traumática ou cirúrgica, que estão concentrados entre os planos profundos de deslizamento de músculos, tendões, ligamentos e nervos devolvendo o movimento livre entre os tecidos, que causavam além de irritação, limitação da amplitude articular, devolvendo a função. Sendo assim, as principais indicações para o uso da crochetagem são: aderências fibrosas que dificultam o movimento de deslizamento, a circulação sanguínea venosa e linfática; as aderências consecutivas a um traumatismo levando a um derrame tecidual; as aderências consecutivas a uma fibrose cicatricial cirúrgica; as algias inflamatórias ou não-inflamatórias do aparelho locomotor; as nevralgias consecutivas a uma irritação mecânica dos nervos periféricos e as síndromes tróficas dos membros (BAUMGARTH et al., 2008).

A crochetagem é indicada para qualquer patologia articular músculo-tendinosa ou ligamentosa que resulte em fibrose ou formação de aderência: tendinite, dor muscular, contratura muscular. Isto é, recomendado para patologias que levam a uma retração ou fibrose  11 das fáscias aponeuróticas. Todas as neuralgias, especialmente aquelas nas quais há um comprometimento da raiz nervosa devido a estruturas sobre as que atuam em músculos e tendões (BAUMGARTH, 2003).
Para Eckman apud Nascimento et. al. (2000), baseada na utilização de ganchos, esta técnica tem como princípio, a quebra de aderências do sistema mio-esquelético, com o objetivo de romper pontos de fibrose, ocasionados pelo acúmulo de cristais de oxalato de cálcio na aponeurose, o que causa irritação. A finalidade da crochetagem mioaponeurótica, é a fibrólise das aderências do tecido de sustentação, situada entre as fascias, tendões, ligamentos e ossos.

 

Segundo Baumgarth et. al. (2008) a crochetagem apresenta efeitos mecânicos nas aderências fibrosas que limitam o movimento entre os planos de deslizamento tissulares, nos corpúsculos fibrosos (depósito úricos ou cálcios) localizados geralmente nos lugares de estases circulatórias e próximo às articulações, nas cicatrizes e hematomas, que geram progressivamente aderências entre os planos de deslizamento, nas proeminências ou descolamentos periósteos e, ainda, estimula a circulação sanguínea venosa e linfática.