Fisoterapia na Saúde da Mulher, uma especialidade em expansão com resultados excelentes

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O atendimento em Saúde da Mulher exige uma atenção especial, com intervenção nas mudanças ocorridas durante as fases da vida da mulher. O tratamento fisioterapêutico em Saúde da Mulher é muito rico e recompensador tanto para o paciente quanto para o terapeuta, pois apresenta resultados excelentes e, muitas vezes, em um curto período de tempo.

A assistência fisioterapêutica na saúde da mulher aborda desde o atendimento primário para prevenção de incontinências urinárias e disfunções sexuais até o atendimento secundário e terciário destas e outras disfunções.

A fisioterapeuta Cristiane Carboni é Mestre em reabilitação do assoalho pélvico pela Universidade de Barcelona e Mestre em ciências da Reabilitação pela Universidade de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Faz parte do boarding científico do Instituto Lado a Lado pela Vida e é membro do Comitê de Fisioterapia da Sociedade Internacional de Continência (ICS), do qual apenas duas Brasileiras fazem parte. Com experiência tanto no atendimento em saúde pública quanto privada ela fala sobre esta especialidade que está em expansão e traz ótimos resultados do ponto de vista pessoal e financeiro.

Segundo Cristiane o ideal seria trabalhar a conscientização das mulheres para realizar os primeiros atendimentos antes da primeira gestação, a fim de prevenir disfunções, como já é realizado em muitos países europeus. No entanto, quando as pacientes procuram a assistência, já apresentam algum grau de incontinência ou estão em fase pré-operatória.

É de extrema importância que o profissional que deseja atuar nessa área se especialize, e esteja constantemente se atualizando. Outra característica importante de quem busca atuar na área é a capacidade de comunicação interdisciplinar, pois é preciso debater constantemente com todos profissionais envolvidos no caso.

Tratar da musculatura do assoalho pélvico exige sensibilidade e muita atenção do profissional por se tratar de regiões de um grande significado íntimo, pessoal e social. Quando se reabilita esta musculatura o trabalho é complexo, pois exige um conhecimento amplo de biomecânica do movimento e de fisiologia do exercício. “É necessário entender que além de um reforço muscular muitas vezes o que esta musculatura necessita é de um trabalho de relaxamento muscular, elasticidade e extensibilidade”, ressalta Cristiane.

No tratamento das disfunções sexuais o fisioterapeuta que trabalha na área da saúde da mulher é cada vez mais valorizado e procurado pelos excelentes resultados. Em problemas como a dispareunia (dor na relação sexual) e no vaginismo (espasmo da musculatura perineal que impede ou torna muito dolorosa a penetração) a reabilitação do assoalho pélvico já se tornou essencial.

É importante citar ainda que o tratamento cirúrgico dos tumores ginecológicos podem levar as distopias genitais, caso esse assoalho pélvico não seja reabilitado. A braquiterapia e a radioterapia pélvica, que podem levar a estenose vaginal terá impacto negativo significativo na função sexual da paciente. Então o trabalho de prevenção e acompanhamento do fisioterapeuta nestes casos também se torna fundamental.

Já na assistência fisioterapêutica em mastologia, deve-se abordar desde programas de prevenção ao câncer de mama, acompanhamento pré e pós-operatório na tentativa de minimização de sequelas funcionais, até a reabilitação de complicações oriundas da doença ou do tratamento oncológico, relata a fisioterapeuta e linfoterapeuta, mestra e doutoranda em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Karoline Camargo Bragante.

O câncer de mama é o que mais acomete as mulheres em todo o mundo, tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Por isso, é extremamente importante ter profissionais especializados e capacitados a atuar nesta área da Fisioterapia em Saúde da Mulher.

Segundo Karoline, que atua principalmente na área de fisioterapia em mastologia, as disfunções mais frequentes encontradas nessa população são muitas vezes oriundas da falta de informação, como a capsulite adesiva que ocorre porque a paciente não é informada adequadamente dos exercícios que pode realizar com o braço, bem como dos mitos e verdades que existem relacionados ao linfedema e a eletroterapia.

Nos casos em que a fisioterapia não é empregada precocemente no pós-cirúrgico do câncer de mama, a paciente pode não atingir a amplitude de movimento do ombro necessária para realização da radioterapia, desta forma o tratamento oncológico será atrasado, podendo levar a maior chance de falha oncológica. Outras complicações que podem levar à interrupção da radioterapia são as reações adversas agudas como a radiodermite, que é uma lesão cutânea provocada pela radiação ionizante. A fisioterapia, através dos seus recursos eletrofototerapêuticos, apresenta boa evidência científica na minimização e até na prevenção de tal complicação.

Segundo Karoline, existem muitos recursos que podem ser utilizados para beneficiar, restaurar e melhorar a qualidade de vida dessas pacientes durante o tratamento oncológico. “Cabe ao fisioterapeuta que se interessar por Saúde da Mulher procurar especialização na área”, completa a fisioterapeuta.

Fonte – Crefito 5