Orientação é aliada da fisioterapia

Anderson Silva/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

A frase é batida: esporte é saúde, esporte é vida. E é a mais pura verdade. Praticar qualquer modalidade traz diversos benefícios às pessoas. Porém, o que nem todos fazem é justamente se informar se podem de maneira segura praticar atividade física. É justamente a falta de orientação que leva cada vez mais gente a ter alguma lesão e, consequentemente, acabar afastada das pistas, quadras, campos. Assim, fisioterapeutas recomendam aos praticantes que busquem informações para não terem surpresas desagradáveis.

“Hoje, na internet, é possível publicar qualquer coisa, mas muitas são erradas. As pessoas veem, querer fazer e, na verdade, estão indo contra os princípios fisiológicos do corpo”, explica Márcio Rene da Silveira, da clínica CRS, de Santo André. “Sempre explico aos pacientes, oriento, pergunto o que fizeram e falo para fazerem diferente da próxima vez. Aqueles dez minutos de conversa valem mais do que a orientação que nunca tiveram. Dar uma base para tentar fazer tratamento e seguir o esporte.”

As indicações dos profissionais começam com prevenção, que vão desde técnicas de fortalecimento muscular, alongamento e cuidados com a alimentação. Porém, se por acaso ou descuido houver algum problema, a ordem é uma só:

“A indicação é: sentiu dor e ela persistiu, passa no ortopedista. Não volte ao esporte, porque daí pode vir a lesão. Pode ter coisa simples que é controlada por medicação, mas a pessoa faz de tudo para voltar (à prática) sem orientação”, afirma André Fabrício da Silveira, também da CRS. “Depois que (a lesão) acontece, tarde demais. Precisa ter consciência de parar e cuidar, seja atleta profissional, de fim de semana, jovem. Dificilmente a gente pega paciente que sente algo e procura o médico. Vão tentando (seguir no esporte) até arrebentar de vez, daí procura ortopedista, que indica a recuperação. Fica mais tempo fora por teimosia”, diz Márcio.

Segundo eles, três são as principais modalidades que ocasionam lesões: futebol, MMA e corrida de rua. E as formas de tratamento vão de equipamentos de última geração até hidroterapia, para reabilitação, fortalecimento muscular e parte pós-cirúrgica. “Não tem ação da gravidade ou impacto”, indica Marcia Leonarde, que já tratou atletas como Marcelinho Carioca e Tuta na CRS.

A Copa São Paulo de Futebol Júnior terminou na segunda-feira com o Flamengo como vencedor, mas campeãs mesmo foram as corriqueiras cãibras sentidas pelos jovens jogadores durante as partidas. Compromissos a cada dois dias, em horários muito quentes. Diversas podem ser as justificativas. Fisioterapeutas, porém, chamam atenção para a forma errada de lidar com o problema, antes – para evitá-lo – e depois – para saná-lo.

“Cãibra é estafa, esgotamento do corpo, sinal de alerta, porque se não fizer alguma coisa naquele momento, vai gerar lesão”, explica o profissional Márcio Rene da Silveira, da clínica CRS. Segundo ele, a primeira iniciativa de um atleta quando sente cãibra na panturrilha, por exemplo, é puxar a ponta do pé em direção ao joelho. Mas essa técnica está errada. Deve-se virar de bruços, flexionar a perna 90 graus e pressionar a musculatura contraída. “O cara quer ajudar, vê na televisão e acha que tem de fazer aquilo. O caso é que ninguém nunca disse que ele não deve fazer daquela forma. Se fizer manobras corretas, sai do princípio da contração”, diz.

Sobre o grande número de atletas com o problema na Copinha, o fisioterapeuta indica possibilidade. “É preciso fazer estudo para saber qual é o motivo. Se tem boa alimentação, preparação, aquecimento, a estrutura por trás dos atletas, porque muitas vezes os clubes não dão a devida atenção às categorias de base”, palpita Márcio Rene da Silveira.

Esquerdinha compara gerações

Paciente da clínica CRS, o ex-jogador Décio Abreu, o Esquerdinha, que carrega no currículo passagens por Palmeiras, São Caetano, Santo André e diversos outros clubes, trata de problemas nos joelhos decorrentes dos tempos de atleta. Presente ao local durante a visita do Diário, ele destaca legislação e estrutura que atualmente os jogadores profissionais têm à disposição e vê com estranheza o alto número de lesões.

“Há alguns anos, era preciso fazer a pré-temporada durante o Campeonato Paulista. Hoje não é mais assim, todos os jogadores têm (no mínimo) um mês para se preparar, o aparato também é melhor. Acredito que as lesões devam diminuir”, afirma ele, que brinca com o grande número de jovens jogadores com cãibra na Copinha.  “Naquela época a gente não dava brecha. Fazia de tudo para não sair”, relembra.