Pacientes precisam aguardar até quatro meses por fisioterapia

Pacientes precisam aguardar até quatro meses por fisioterapia

A espera por atendimento fisioterapêutico no Sistema Único de Saúde (SUS) pode se estender por até quatro meses em algumas regiões, como ocorre em Santa Cruz do Sul. Essa demora está diretamente relacionada ao baixo valor pago pelo sistema, que desestimula a adesão dos profissionais. Atualmente, 16 fisioterapeutas prestam até 4 mil atendimentos por mês, mas nenhum deles atua diretamente pelo SUS. A defasagem financeira é um dos principais desafios para garantir o acesso oportuno à fisioterapia.

O cenário da fisioterapia no SUS

O SUS paga R$ 4,67 por consulta de fisioterapia, enquanto o Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) repassa R$ 9,23 ao profissional. A diferença é custeada pela Prefeitura, que busca viabilizar o tratamento por meio do consórcio. Esse valor está muito aquém do referencial de honorários sugerido pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito), o que impacta diretamente a disponibilidade de profissionais e a qualidade do atendimento.

Impactos da demora no tratamento

A demora no início da fisioterapia pode trazer consequências graves para a recuperação dos pacientes. Em pós-operatórios de quadril, por exemplo, a falta de acompanhamento em tempo hábil pode levar a encurtamentos musculares e fraqueza, muitas vezes irreversíveis. Na área neurológica, como após um acidente vascular cerebral (AVC), a intervenção precoce é fundamental para minimizar sequelas. A fisioterapia atua de forma abrangente nas áreas ortopédica, respiratória e neurológica, e o tempo certo de início do tratamento é decisivo para o prognóstico.

Medidas para agilizar o atendimento

A Central de Regulação e Agendamento tem implementado novas diretrizes para reduzir a fila de espera. Entre elas, a exigência de que o médico prescreva no máximo dez sessões por paciente, com obrigatoriedade de laudo para reavaliação após o término. Casos de alta prioridade devem ser atendidos em até uma semana. A partir de junho, também será adotada uma cota específica de atendimentos por unidade de saúde, calculada com base na média histórica e no critério populacional de cada bairro. Essas medidas visam organizar a demanda e garantir que os pacientes mais necessitados tenham prioridade.

A experiência de quem espera

Pacientes como o porteiro Ernani Aloísio Ludtke, de 41 anos, vivenciam a angústia da espera. Após romper o músculo do joelho e sofrer lesão no ligamento cruzado, ele aguarda há meses por dez sessões de fisioterapia, essenciais para fortalecer a musculatura antes de uma cirurgia. A secretária Maria José Dorneles, de 56 anos, com tendinite no polegar, também enfrenta a demora e o medo de que o quadro se agrave. Esses relatos evidenciam o impacto humano da falta de acesso oportuno à fisioterapia.

Valorização profissional e qualidade do atendimento

O baixo valor pago pelo SUS não afeta apenas os pacientes, mas também os profissionais. Muitos fisioterapeutas precisam ampliar o volume de atendimentos diários para compensar a defasagem, o que compromete a qualidade do cuidado. Segundo o presidente da Associação dos Fisioterapeutas do Vale do Rio Pardo (Afivarp), Régis Severo, essa situação gera frustração tanto para o usuário quanto para o profissional, além de descrença na profissão. Ele defende uma maior valorização do fisioterapeuta, com reconhecimento do sistema público, dos convênios e dos usuários sobre a importância da abordagem fisioterapêutica, especialmente na atenção primária e na prevenção, o que poderia gerar economia para o sistema de saúde.

Para os fisioterapeutas que desejam se aprofundar na atuação hospitalar e intensiva, uma especialização pode ampliar as competências e contribuir para a melhoria do atendimento no SUS. Pós-graduação em Fisioterapia Hospitalar

Conclusão

A demora de até quatro meses para atendimento fisioterapêutico no SUS é um reflexo de problemas estruturais, como o baixo financiamento e a falta de valorização profissional. Medidas de regulação e organização da demanda são importantes, mas é essencial investir na valorização dos fisioterapeutas e na ampliação do acesso. A fisioterapia é uma ferramenta fundamental para a recuperação e prevenção de agravos, e garantir o atendimento em tempo adequado é uma questão de saúde pública.

Perguntas frequentes

Por que os pacientes do SUS enfrentam longa espera por fisioterapia?

A espera ocorre principalmente pelo baixo valor pago pelo SUS por consulta, que desestimula os profissionais a atuarem no sistema, gerando déficit de oferta e filas de até quatro meses.

Qual é o valor pago pelo SUS por consulta de fisioterapia?

O SUS paga R$ 4,67 por consulta, enquanto o Cisvale repassa R$ 9,23. A diferença é custeada pela Prefeitura para viabilizar o atendimento.

Quais são as consequências da demora no início da fisioterapia?

A demora pode levar a complicações como encurtamentos musculares, fraqueza e sequelas irreversíveis, especialmente em pós-operatórios e casos neurológicos, como AVC.

Quais medidas estão sendo adotadas para reduzir a fila de espera?

A Central de Regulação implementou novas diretrizes, como limite de dez sessões por paciente, prioridade para casos graves e cotas por unidade de saúde, para organizar a demanda.

Como a valorização do fisioterapeuta pode melhorar o atendimento no SUS?

A valorização profissional, com remuneração justa e reconhecimento da importância da fisioterapia, pode aumentar a adesão dos profissionais ao sistema e melhorar a qualidade e a agilidade do atendimento.

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